Os professores do Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira estão conseguindo levar o conteúdo escolar para seus mais de 300 alunos da Comunidade Quilombola de Adelaide Maria da Trindade Batista, na região de Palmas, no Paraná. As ações incluem o contato constante com os pais, atendimento especializado às crianças com necessidades especiais e até o uso de uma moto com sistema de som lembrando os estudantes de retirarem os conteúdos impressos na escola.

A diretora Sônia Regina Boeze da Silva afirmou que devido a algumas dificuldades econômicas da comunidade, ela e sua equipe buscam estar cada vez mais próximas das famílias. “Estamos fazendo um trabalho constante de levar os conteúdos de aulas a eles e não deixar ninguém para trás”.  Ela contou que conseguiu que um motociclista passasse em todas as ruas da comunidade, avisando pais e alunos sobre as atividades da escola. Ele percorre mais de 700 hectares e alerta os responsáveis sobre a necessidade de irem até a escola retirar os conteúdos impressos e, também, sobre a importância de acessarem o Classroom, para quem tem celular.

“Essa ação tem dado bons resultados, pois os pais vêm até nós, retiram os conteúdos, e nós aproveitamos e tiramos dúvidas dos alunos”, explica Sônia.

Além dos estudantes com dificuldade de acesso, a escola quilombola também atende crianças com necessidades especiais. A professora Aline Rodrigues Dutra é uma das responsáveis por adaptar o conteúdo e lecioná-lo aos alunos da Sala de Recursos, que precisam de um atendimento individualizado. “Em nossa escola atendemos alunos com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e dislexia, e temos uma aluna surda. O que tenho feito é adaptar todo o conteúdo de aula para eles. É um trabalho árduo, mas tenho feito com muito amor”, conta a professora.

A Comunidade Quilombola de Adelaide Maria da Trindade Batista foi fundada em 1836 por escravos fugidos das fazendas de trabalho forçado na região de Palmas. Atualmente, são mais de 5 mil famílias vivendo no quilombo.