Diante do fechamento das escolas por conta da pandemia, muitos professores têm se desdobrado para ajudar crianças que vivem em áreas isoladas. O professor Telmo Ribeiro, por exemplo, e outros cinco colegas de profissão enfrentam muitos obstáculos, que incluem atravessar igarapés cheios e estradas inundadas, para levar aos alunos da escola indígena Presidente Afonso Pena as atividades do dia a dia.

A escola, que está localizada na comunidade Matri, em Normandia, ao Norte de Roraima, atende crianças e adolescentes indígenas de outras três regiões dentro da reserva Raposa Serra do Sol. Para ajudar esses alunos, a cada 15 dias, o professor, que é formado em comunicação e arte pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), percorre cerca de 30 Km para imprimir as atividades dos alunos. Isso porque na escola não tem impressora e a mais próxima da comunidade fica na região do Lago Caracaranã.

O trajeto leva duas horas e é feito de moto, bicicleta e a pé, em meio a igarapés cheios, estradas de chão inundadas e falta de barco. O professor afirmou que o percurso até as outras duas impressoras, nas comunidades Raposa e Guariba, é ainda mais longo, por isso opta por ir até o Caracaranã.

Depois que imprime, ele repete todo o percurso na volta, e entrega na casa de cada aluno as atividades elaboradas. Essa rotina de trabalho ocorre sempre em períodos chuvosos e torna o acesso à escola muito complexo. Por este motivo, mesmo antes da pandemia, quando alunos da rede estadual passaram a ter aulas remotas, a escola já funcionava em regime de ensino não presencial durante o inverno — entre os meses de abril até setembro.

Informações: G1