Como parte das comemorações do primeiro aniversário do Salva de Palmas, que acontece nesta sexta-feira (17), conversamos com o professor da disciplina Felicidade da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Bruno Severo Gomes. Ele nos falou um pouco sobre otimismo, boas ações, a importância de ajudar ao próximo e como encontrar espaço para ser feliz em meia a tantos momentos difíceis.

O professor, entre outras atribuições, também trabalha em hospitais como doutor palhaço, usando a linguagem do palhaço como ferramenta de humanização em saúde.

– Qual a proposta da disciplina Felicidade dentro da Universidade?

Nosso principal objetivo é trabalhar a saúde emocional, dos alunos e ensiná-los como lidar com a pressão, as frustrações, que são muito comuns no meio acadêmico. Vale ressaltar que somos a terceira Universidade do país a oferecer o curso, que teve início em Haward, nos Estados Unidos.

Como foi recebida pelos alunos?

A disciplina é uma das mais procuradas na Universidade Federal de Pernambuco desde 2018. São 140 vagas por semestre para o curso e a procura é bastante grande e é ministrada em um auditório. O curso é voltado para alunos de graduação, mas tem procura de alunos de pós e de outras faculdades, mas que infelizmente não tem como atender.

 

Desde que começou a ser aplicada até hoje, teve alguma mudança em termos de conteúdo, adesão?

O conteúdo é o mesmo, mas a forma de aplicar é diferente. Por conta da pandemia, só conseguimos ter duas aulas este ano e estamos aguardando o momento de voltar. Mas com certeza o contexto será diferente, por conta de tudo o que está acontecendo.

– Como e por que o senhor decidiu estudar a felicidade?

A decisão de estudar felicidade veio da relação com a saúde emocional das pessoas que sempre tive. Também sou psicanalista e atuo na humanização em saúde.  E como professor, sempre percebi que ninguém pode aprender se estiver triste.

– Como são suas aulas? E o trabalho que realiza como palhaço  nos hospitais?

Dou aula para vários cursos da UFPE, disciplinas clínicas e básicas. Procuro sempre usar metodologias ativas, que podem fazer o estudante participar de forma afetiva e efetiva no processo de ensino e aprendizagem. Nos hospitais atuo desde 2000 como doutor palhaço, usando a linguagem do palhaço como ferramenta de humanização em saúde. Rir faz bem e pode participar do processo de promoção da saúde e da cura.

 

– O que é ser feliz?

Ser feliz é saber que não somos felizes o tempo todo. É saber lidar com as frustrações e com aquilo que não conseguimos mudar. Felicidade é o caminho que eu faço e não o ponto final do percurso. É focar e agradecer o que tenho. E não colocar tanta atenção no que me falta. 

– As redes sociais e a comunicação em tempos atuais ajudam ou atrapalham a felicidade?

As redes sociais podem ajudar e atrapalhar. Ajuda pois faz com que estejamos ligados e conectamos com  o mundo. A afetividade pode ser demonstrada e a solidariedade pode ser compartilhada.  Mas, por outro lado, podem fazer mal pela sensação de felicidade, que muitas vezes é ilusória e que pode ser demonstrar por meio das publicações, Muitas vezes a felicidade está apenas para quem vê e não para quem está publicando. Existem pesquisas que indicam que as redes sociais podem fazer mal a saúde emocional

O mundo está passando por um momento bastante complicado, uma pandemia, com muitas mortes e uma crise que tem afetado muitas pessoas. Como é possível acreditar na felicidade diante desse cenário?

Acreditar na felicidade nos tempos de pandemia é possível. Não podemos deixar para ser feliz apenas quando tudo terminar. Se a felicidade é o caminho, vamos promovê-la agora, com ações de solidariedade, compaixão e gratidão.

– Temos visto mesmo grandes demonstrações de empatia e união para ajudar as pessoas que estão precisando. Essa é chave da felicidade para esses momentos difíceis?

Ajudar quem precisa neste momento promove felicidade em quem é ajudado e para quem ajuda. Acreditar na felicidade neste  momento está relacionado a potencializar as nossas emoções positivas, o autoconhecimento, e a espiritualidade. Sabemos de todas as dificuldades, mas são muitas atitudes positivas que trazem felicidades a todos os envolvidos.

– Ser otimista ajuda a passar por essa fase de isolamento social?

Ver o lado bom das coisas, ser otimista, nos faz produzir serotonina. O que nos faz entre outras coisas aumentar nossa capacidade de decisão e superar momentos mais complicados.

– O que uma pessoa precisa fazer para se manter otimista diante desta crise?

Perceber sempre o que se tem para agradecer. Quando agradecemos, abrimos nosso pensamento para focar no que temos, e não no que nos falta.

– A procura por boas notícias aumentou neste momento de crise. Boas notícias deixam as pessoas mais felizes?

As boas notícias e lembranças boas fazem bem para todo mundo. Mas é preciso sempre estar por dentro de tudo o que está acontecendo  para que não seja gerado um negacionismo, que acha que nada de ruim está acontecendo.

– Quais os principais passos para as pessoas conseguirem ser feliz?

Os passos para “ser feliz” podem ser diferentes de pessoa pra pessoa. Mas seria promover a saúde física, emocional, mental, social, espiritual e profissional. A felicidade está ligada ao que faço ou deixo de fazer na minha vida.

Quais os critérios para medir se uma pessoa é feliz?

Medir felicidade é complexo, mas seria ver as várias ações e campos de nossa vida voltados para o nosso engajamento como ser humanos

–  A felicidade pode ser contagiosa? Estar com pessoas felizes torna uma pessoa mais feliz?

Felicidade é contagiosa sim. Pois todos nós podemos e temos o poder de modificar a vida do outro. Um sorriso um abraço, uma mensagem pode mudar para sempre a vida da pessoa