Desde o início da pandemia de Covid-19, 49% dos brasileiros realizaram algum tipo de doação. Entre os moradores de favelas, 63% doaram no período. O dado é da pesquisa ‘Pandemia na Favela – A realidade de 14 milhões de favelados no combate ao novo coronavírus’, realizada pelo Data Favela,  parceria do Instituto Locomotiva, da Central Única das Favelas (Cufa) e da Favela Holding.

O estudo entrevistou mais de 3 mil moradores de 239 favelas em todo o país e apontou que os moradores das favelas são mais solidários em diversos contextos: de tomar conta dos filhos de outras pessoas enquanto os pais estão trabalhando, até a divisão de cesta básica com um vizinho que não tem o que comer. A pesquisa também destacou a falta de estrutura nas favelas. 46% dos lares das favelas não têm água potável e 96% dos moradores não possuem plano de saúde, dependendo quase exclusivamente do sistema público.

Segundo Athayde, quem mora em favela depende muito dos vizinhos, que se prestam, por exemplo, a tomar conta dos filhos de outras pessoas, enquanto aos pais saem para trabalhar. “Esse tipo de coisa não acontece, geralmente, em outros territórios. A favela acabou desenvolvendo uma solidariedade muito grande, que não se encontra em nenhum outro território”.

Além disso, metade dos entrevistados afirmaram viver com alguém que pertence ao grupo de risco para a Covid-19. Destes, 32% vivem com pessoas maiores de 60 anos de idade e 60% afirmaram que moram em uma casa com quatro ou mais pessoas.

Atualmente, 13,6 milhões de pessoas vivem nas favelas do Brasil, sendo que os estados de São Paulo e de Minas Gerais são os que lideram o ranking de estados com mais comunidades, com 46 milhões e 21 milhões de habitantes, respectivamente.

Sete em cada dez famílias recorreram ao auxílio emergencial, porém 41% não receberam nenhuma parcela até o momento. Entre os que receberam o auxílio emergencial, 96% usaram os recursos para a compra de alimentos, 88% para a compra de artigos de higiene, 87% para a compra de produtos de limpeza, 68% para o pagamento de contas básicas, 64% para compra de remédios e 62% para ajudar familiares e amigos.

Cinquenta e três por cento dos moradores das favelas têm filhos. A média é de 2,7 filhos por família. Oitenta e sete por cento das famílias indicaram que o fato de os filhos não estarem indo à escola aumentou os gastos em casa. Para 81% dos consultados, ter os filhos em casa dificulta a alguém da família conseguir trabalhar ou obter renda. Oitenta e quatro por cento das mães das favelas acham que os filhos não estão estudando em casa como deveriam. A maioria das crianças não tem computador em casa e as que acessam a internet o fazem pelo celular.