Um reconhecimento mais que merecido. Paraty e Ilha Grande, localizadas no Rio de Janeiro, receberam nesta sexta-feira (5), o título de Patrimônio Cultural e Natural Mundial pela Unesco. Trata-se de um reconhecimento que garante um compromisso internacional de preservação. A partir de agora, a cada seis anos, o governo tem que apresentar um relatório sobre o estado de conservação do local. A Unesco recebeu um plano de gestão compartilhada que significa que os entes públicos têm o compromisso de preservar e garantir as “qualidades excepcionais e únicas” que deram o título ao lugar.

Vale lembrar que este é o primeiro sítio misto do Brasil nessa seleta lista. O dossiê apresentado na 43ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Baku, no Azerbaijão, foi aceito por conta de uma mudança em relação à tentativa anterior, que aconteceu, em 2009, quando foi exaltado apenas o lado histórico da pequena cidade. Desta vez, os destaques culturais e ambientais foram unidos em um só planejamento, dando mais foco a biodiversidade.

Passaram a ter protagonismo, as áreas do Parque Nacional da Serra da Bocaina, do Parque Estadual da Ilha Grande, da Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e da Área de Preservação Ambiental de Cairuçu. Juntas, as áreas formam um cinturão de mata nativa de quase 150 mil hectares permeados por registros arqueológicos de diferentes idades que abraça o Centro Histórico de Paraty e o Morro da Vila Velha. A área espalhada por seis municípios — quatro de São Paulo – contabiliza 36 espécies vegetais raras, como a caixeta, também chamada de pau-paraíba por muitos, e de suma importância ambiental.

Com esse título, Paraty realiza um feito inédito na América Latina. O lugar é o primeiro sítio misto da região onde se encontra uma cultura viva. Todos os demais sítios mistos do continente, como Machu Picchu, no Peru, são sítios arqueológicos em uma paisagem natural. A escolha da Unesco merece uma Salva de Palmas.