O prêmio Nobel de química, cuja cerimônia aconteceu na manhã desta quarta-feira, 7, foi dado a duas cientistas que participaram na criação do método da edição genética. É a primeira vez na história que duas mulheres ganham juntas, o Nobel de Química. A francesa Emmanuelle Charpentier e a americana Jennifer A. Doudna (foto) desenvolveram uma das tecnologias mais assertivas para a edição: o CRISPR/Cas9, que consiste de pequenas partículas de DNA.

Com isso, as cientistas conseguem mudar o DNA de animais, plantas e microorganismos com uma precisão quase exata. “A tecnologia teve um impacto revolucionário na ciência da vida e está contribuindo para novas terapias contra o câncer e pode realizar o sonho de curar doenças genéticas”, diz a publicação no site oficial do Nobel.

A descoberta do CRISPR não foi premeditada. Charpentier estava estudando a bactéria streptococcus pyogenes, uma das mais prejudiciais à humanidade, e descobriu uma molécula que antes não era conhecida, a tracrRNA, que, segundo a descoberta da cientista, faz parte do sistema imune da bactéria e como desativar um vírus com base em seu próprio DNA.  Foi em 2012 que a cientista se juntou a bioquímica Doudna e juntas elas tiveram sucesso ao recriar as tesouras genéticas da bactéria em um teste laboratorial. Segundo a academia, a descoberta da molécula que pode ser usada para fazer incisões precisas no material genético pode mudar, para sempre, o código da vida.

“Eu gostaria de passar uma mensagem positiva a meninas que gostariam de seguir o caminho da ciência. Acho que nós mostramos a elas que uma mulher pode ter impacto na ciência que elas estão fazendo. Espero que Jennifer Doudna e eu possamos passar uma mensagem forte às meninas”, declarou. As vencedoras dividirão o valor de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,3 milhões).