Morador de uma comunidade na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio de Janeiro, Geovane Moura decidiu aproveitar o tempo livre para recolher os resíduos das águas e a areia das praias de onde passou sua infância.

“Estava incomodado de ver a quantidade de lixo na praia. Comecei então, sozinho, a catar o lixo para os banhistas”. Todos os dias, ele vai para a Praia Congonhas do Campo, também conhecida como Praia do Barão, e passa de uma a duas horas recolhendo o lixo deixado por banhistas ou trazido pela maré.  São cerca de 200 Kg por semana. Desde então, já retirou 16 pneus e muitas garrafas pets, potes de plástico, lâmpadas, tampinhas, cotonetes, máscaras e até louças antigas no trecho de cerca de 800 metros que compõe a praia.

As tampinhas recolhidas, Geovane destina ao programa Rio Eco Pets, que financia a castração de animais abandonados com a reciclagem do plástico. Seu movimento, batizado de “Barão Vive”, já tem repercutido na região: outros voluntários se juntaram a ele na limpeza da praia. “Não é nada fixo, quem está por lá dá uma ajuda. Mas conto também com mais ou menos seis pessoas bem constantes na limpeza”, diz.

Geovane ampliou os planos de resgate da praia de sua infância: quer revitalizar o local e criar atividades de lazer para os frequentadores. Para isso, criou uma vaquinha online com a meta de arrecadar R$12 mil. “Vamos investir em atividades de esporte e lazer. Quero comprar pranchas de surf, material para frescobol, um pula pula para as crianças e até um pedalinho. A ideia é promover atividades gratuitas, como aulas de ioga na praia”, explica.

Seu grande sonho é expandir o movimento Barão Vive. “Meu objetivo é revitalizar todas as praias da Ilha do Governador a partir deste projeto”, diz Geovane.