O problema enfrentado por adolescentes na escola que não têm absorventes em quantidade suficiente no período menstrual, se tornou foco de um projeto social no Rio de Janeiro. Há dois anos, a estudante Constanza Del Posso, 16, criou o “Absorvendo Amor”, que distribui o item de higiene a mulheres e, principalmente, meninas carentes da cidade.

Com os colegas da escola Eleva, em Botafogo, Constanza estruturou a ideia de doar absorventes. “Combinamos com a coordenação da escola de colocar caixas para arrecadação em pontos estratégicos, criamos nosso Instagram, divulgamos e arrecadamos 3.060 absorventes na primeira campanha.” Desde então, foram entregues 25 mil pacotes de absorventes em colégios públicos, comunidades e entidades como a ONG One by One.

Neste ano, em meio à pandemia do coronavírus, o projeto fez uma vaquinha virtual e redirecionou doações para comunidades, uma vez que as escolas estavam fechadas. No fim de setembro, foi retomada a distribuição a escolas públicas no Rio por meio das diretoras, que organizarão a distribuição, pois as alunas ainda não retornaram as aulas presenciais.

O Absorvendo Amor aceita doações de pacotes de absorventes em pontos físicos como na Escola Eleva, e agora na loja Chilli Beans do shopping Rio Sul, e doações em dinheiro em http://vaka.me/957646 ou no site do projeto, absorvendoamor.com.br O Rio instituiu no ano passado o programa de fornecimento de absorventes para as alunas da rede municipal. Em junho, a Assembleia Legislativa do estado aprovou o projeto de lei que passou a considerar absorventes, fraldas infantis e geriátricas itens da cesta básica no estado.

O movimento Girl Up Brasil iniciou em abril projeto semelhante ao de Constanza. “Foram 40 mil unidades de absorventes distribuídas em sete estados”, diz a coordenadora executiva, Leticia Bahia. “Nós nos deparamos com a absoluta escassez de dados sobre pobreza menstrual”.