O mundo todo está em alerta por conta do avanço do novo coronavírus, que surgiu em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na China. Em coletiva de imprensa, realizada nesta quinta feira (12) pelo governo do Estado de São Paulo, para anunciar novas medidas de combate ao novo coronavírus, o governador João Doria afirmou que “neste momento, não há razão para pânico em São Paulo e nem razão para paralisar o estado.” Segundo Doria, isso prejudicaria a renda e a receita do Estado, além de afetar a vida e o comportamento psicológico da população. “Não vamos criar pânico na população, nem antecipar processos. O efeito disso é extremamente nocivo à vida das pessoas, economia da cidade, de uma região e de um pais”, afirmou.

De acordo com o infectologista e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, David Uip, há 46 casos confirmados do Covid-19 no Estado, que está pronto para enfrentar qualquer cenário, já que  dispõe de 100 mil leitos, sendo 7.200 destes voltados a unidades de tratamento intensivo (UTI), número suficiente para lidar com o possível avanço do coronavírus em São Paulo.  Doria ainda confirmou que o governo irá disponibilizar mais mil leitos para UTIs, número próximo dos 1.400 necessários para os próximos 4 meses, segundo previsão de Uip.

São Paulo também irá solicitar ao Ministério da Saúde a habilitação de 93 leitos de UTI que já estão em funcionamento por meio de custeio integral apenas com recursos do Estado e municípios. O Governo de São Paulo também determinou a compra de kits com capacidade para até 20 mil testes do covid-19; aquisição de 200 aparelhos respiradores; e compra de insumos para profissionais de saúde dos hospitais estaduais, incluindo: 5 milhões de máscaras descartáveis, 15 milhões de luvas, 48 mil litros de higienizadores em gel e mil aventais, além de máscaras cirúrgicas e óculos descartáveis.

Outra medida é a elaboração de um esquema especial de gestão de leitos hospitalares na rede pública e, se necessário, na rede privada, podendo determinar a eventual suspensão de cirurgias eletivas (não urgentes) para priorizar a internação de pacientes com quadros respiratórios agudos e graves.

Também haverá treinamento para ativação de um protocolo único de atendimento em 100 hospitais estaduais para casos suspeitos ou confirmados da doença. Pessoas com mais de 60 anos de idade terão atenção especial porque estão mais vulneráveis a sintomas graves do covid-19.

“Como ainda não há vacina contra o novo coronavírus, precisamos fortalecer a rede para garantir atendimento adequado aos casos mais graves nos períodos de picos de transmissão, evitando mortes”, alertou David Uip. Doria disse que São Paulo trabalha com a estimativa de que cerca de 20% das pessoas infectadas pelo novo coronavírus no Estado deverão recorrer ao sistema público de saúde por apresentarem sintomas, sendo que uma pequena parte da porcentagem necessitará de tratamento intensivo.

David Uip falou também que o Estado de São Paulo fará a gerência de leitos, na medida das necessidades e poderá contar com a rede privada também. Ele recomendou que pacientes idosos e com doenças crônicas evitem aglomerações e salientou que hoje, pelo número de casos registrados no Estado (46), está descartado o fechamento de locais públicos ou o cancelamento de eventos, como exposições e shows.