A família de Jóice Prampolin Pastre, uma jovem de 27 anos, que morreu em razão de um aneurisma cerebral, na última sexta-feira (11), em Catanduva (SP), autorizou a doação de seus órgãos. O gesto de solidariedade pode salvar até nove vidas. A captação dos órgãos foi realizada no sábado (12), no Hospital Unimed São Domingos.

Em comunicado, o presidente da Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos, o intensivista José Braz Cotrim explicou que a jovem sofria de aneurisma de artéria oftálmica e havia sido internada na quarta-feira (9). “Fizemos todos os procedimentos necessários para reverter o quadro. Depois de constatada a morte encefálica, comunicamos a família sobre a possibilidade da doação. Em um gesto nobre, eles autorizaram. Agora, nove vidas podem ser salvas”.

Foram doados coração, córneas, pulmões, rins, pâncreas e fígado. A cirurgia, considerada complexa, contou com equipes de cirurgiões de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e São Paulo, e levou quase seis horas para ser realizada. Para o transporte dos pulmões e pâncreas, as equipes médicas contaram com o apoio da FAB (Força Aérea Brasileira).

Doação de órgão

Vale lembrar que no dia 27 de setembro é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos e durante todo mês é realizada a campanha “Setembro Verde” para reforçar a importância do tema. Embora mais de 45 mil pessoas ainda aguardem na fila de espera para um transplante, campanhas como o Setembro Verde têm dado resultados. Nos últimos dez anos, o Brasil testemunhou um aumento significativo no número de procedimentos realizados. O país saltou de 6.426 cirurgias em 2010 para 9.212 transplantes de coração, fígado, intestino, pâncreas, pulmão e rim em 2019 — um incremento de 43,3%.

Mas a pandemia de coronavírus fez com que as doações diminuíssem. De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, a taxa de doadores efetivos caiu 6,5% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2019. Quando se confrontam os números de doadores no primeiro e no segundo trimestres de 2020, a queda é ainda mais expressiva: 26,1%.

A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) analisou o impacto da pandemia sobre os procedimentos realizados no primeiro semestre. Em relação ao mesmo período ano passado, caiu o número de transplantes de fígado (6,9%), rim (18,4%), coração (27,1%), pulmão (27,1%), pâncreas (29,1%) e córneas (44,3%). A ABTO classifica a situação como “muito preocupante” e projeta um cenário dramático até o final do ano: o Brasil deve realizar 3.621 cirurgias em 2020, uma queda de 60,6% em relação a 2019.