Filha de uma empregada doméstica e de um ex-padeiro, Fernanda Silva dos Santos, hoje prestes a se formar em Engenharia Civil, resolveu colocar a mão na massa e criar o ReforAmar. O projeto, que conta com a ajuda de voluntários e doações, reforma casas, asilos e, futuramente, abrigo para crianças, de quem realmente precisa, de forma gratuita. Segundo ela, a ideia surgiu por conta da sua própria experiência. Quando crianças, ela morava com os pais e os cinco irmãos em uma pequena casa, em Natal, no Rio Grande do Norte. Só que, quando chovia, como a casa tinha muitas goteiras, tudo ficava encharcado e com cheiro muito forte, o que era muito complicado para a menina, que sonhava em não ter mais que passar por aquela situação. Nesta entrevista, ela lembra desta história e de como conseguiu tirar dessa experiência, inspiração para ajudar outras pessoas que passam pela mesma situação. Também fala de como o projeto atua e quais são seus principais objetivos de crescimento.

– Como surgiu a ideia do projeto?

O projeto, que teve início em julho de 2018, com o nome de ReforAmar, surgiu por conta da minha própria história de vida. Quando eu era criança, morava em uma casa pequena de taipa e tijolos brancos, em Natal, no Rio Grande do Norte. O local tinha sala, cozinha, dois quartos e um banheiro nos fundos do quintal, com um monte de goteiras. Quando chovia, uma caixa de fogão transformada em guarda-roupa, a cama e o chão sempre ficavam encharcados. O reboco antigo, de barro, também infiltrava e o cheiro que ficava no ar era ruim e chamava atenção dos meus amigos. Eu nem queria que ninguém mais fosse em casa.  Meu sonho era ter uma casa sem goteiras e foi, por isso, que resolvi ajudar as pessoas que passam pelo menos problema que passei.

– Como essa história começou a mudar

Só quando eu tinha 18 anos e já morava sozinha em um pequeno quarto no imóvel, após minha família mudar. Um dia, um tio se ofereceu para me ajudar em uma possível reforma. Ele trabalharia de graça, só ia precisar do material para a obra e foi o que aconteceu. Depois disso, pensei que as pessoas poderiam ter o que eu tive, ou seja, uma transformação de vida, com uma casa nova. E isso não é uma questão só de auto-estima, é também uma questão de saúde. Tem muita gente vivendo em lugares insalubres.

–  Atualmente, como o projeto funciona?

É bastante acessível. Após a escolha do local, que pode ser uma casa, um asilo e, futuramente, também abrigos de crianças, é feito o levantamento da área, além da proposta do serviço pelos arquitetos e designer voluntários. Depois de tudo aprovado, apresentamos o orçamento e iniciamos a fase de arrecadação de materiais por meio do apoio dos nossos seguidores, parceiros e doações dos voluntários.  Ao término desta fase, é que tem inicio a realização dos reparos. E é esta a hora de colocar a mão na massa e dividir as tarefas e executar cada serviço.

– Como são escolhidas as famílias que serão ajudadas?

No início, algumas casas nós encontramos buscando pelas ruas, entretanto agora deixamos um link no Instagram para as pessoas indicarem lares, nos enviando a história da família e fotos da casa. Depois da história escolhida, os responsáveis/organizadores pelo projeto realizam uma visita no local para fazer uma avaliação mais técnica, não apenas por fotos. Eles verificam se atende os requisitos de renda, vulnerabilidade social, bem como se o serviço a ser executado encontra-se dentro das possibilidades do projeto.

– Quais os próximos passos?

Após sabermos o que mais incomoda os moradores, avaliamos a estrutura, fazemos medições, uma maquete eletrônica de como vai ficar e o orçamento. Daí postamos tudo no Instagram com fotos e a lista de o que vamos precisar. Arrecadamos sacos de cimento, tinta, outros produtos e dinheiro com essa divulgação na rede. E então quando estamos com o material fazemos o planejamento de quanto tempo será possível realizar a ação. Disponibilizamos um formulário para que os voluntários interessados em participar da ação preencham como e quando podem ajudar. Em seguida é feita uma seleção desses voluntários por dia e turno. Daí em diante é mãos à obra.

– Quantas famílias já foram atendidas?

Em um ano de atividades, o projeto já realizou sete ações, sendo seis em casas de famílias e uma em um asilo.

– Quantas pessoas são voluntárias nessa sua missão?

Atualmente, contamos com aproximadamente 170 voluntários, de diversas áreas.

– Como as pessoas podem ajudar?

Basta seguir nosso Instagram e compartilhar nossas postagens. Também é possível ajudar financeiramente, doando ferramentas, materiais de construção, eletrodomésticos, utensílios etc. E claro, sendo um voluntário com mão-de-obra.

– Tem objetivo de expandir para outras cidades, além de Natal?

Queremos sim ir para outras cidades e estados, porém precisamos de parceiros e melhorar nossa organização interna.

– Como seu trabalho pode inspirar outras pessoas?

Acreditamos que existem muitas pessoas dispostas a ajudar o próximo, mas muitas vezes ficam um pouco perdidas. Na hora que divulgamos as ações do ReforAMAR e mostramos que cada um pode contribuir com um pouco do seu tempo, com um lanche, pegando um material para doação, isso abre um novo olhar nas pessoas que passam a contribuir mais com o voluntariado e a propagar mais boas ações.