Nesta sexta-feira (20), é lembrado o Dia Nacional da Consciência Negra, uma data dedicada à reflexão sobre a inserção dos negros na sociedade e ao racismo que continua enraizado no nosso comportamento. A data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista. Muito tempo se passou, mas o racismo ainda existe e algumas expressões e palavras ainda estão presentes no nosso dia a dia.

Por conta disso, todos devem refletir sobre termos que usamos naturalmente no nosso dia a dia, mas que possuem uma origem racista ou que associam a ideia de negro ou preto a uma coisa negativa. Expressões como “não sou tuas negas“, “da cor do pecado” e até mesmo as palavras “doméstica” e “denegrir” – todas naturalmente incorporadas no nosso vocabulário – carregam indícios da opressão e preconceito enraizados na visão de mundo do povo brasileiro.

Confira abaixo algumas expressões que devem ser descartadas no vocabulário:

LISTA NEGRA; OVELHA NEGRA; MERCADO NEGRO: nessas expressões, a palavra “negro” é empregada para dar sentido pejorativo ou negativo à expressão.

INVEJA BRANCA: contrária às expressões que em a palavra “negro” é aplicada como algo negativo, aqui a palavra ‘branca’ é usada no sentido positivo, como se só o que é branco fosse bom, e preto, ruim.

DA COR DO PECADO: classifica o corpo da mulher negra como uma mulher sensualizada e objetificada.

NEGRO DE TRAÇOS FINOS: ou então “nem parece negra”. Expressão pejorativa, que diminui a beleza negra, como se só a estética branca e europeia fosse bonita. Existe uma intenção de clareamento da pele negra ao dizer isso.

NÃO SOU TUAS NEGAS: indica a mulher negra como “qualquer uma” ou “de todo mundo”. Escravas negras abusadas e tidas como propriedade dos homens brancos. Além de racista, a expressão é de cunho machista.

DENEGRIR: segundo o dicionário, a palavra significa “tornar negro”. A expressão é ofensiva porque considera algo negro como negativo. Uma sugestão é trocar por “difamar”.

MULATA: faz referência à mula, que é o filhote do cruzamento de uma égua com um jumento. Ou seja, compara a pessoa negra a um animal. É uma palavra muito usada para definir pretos de pele mais clara.

CABELO RUIM: indica que o cabelo do tipo crespo é ruim. Por muito tempo, esse termo acabou minando a confiança e autoestima de muitos negros e negras. Se quiser falar sobre o tipo de cabelo, é só falar “cabelo crespo”.

CRIADO-MUDO: era o escravizado que tinha a função de segurar as coisas para seus senhores. Como ele não podia fazer barulho, ficava quieto, sem falar. Assim, surgiu a expressão para definir o móvel de apoio que fica ao lado da cama. Uma alternativa é o termo “mesa de cabeceira”.

FAZER NAS COXAS: é uma expressão usada para identificar que algo está mal feito. O termo viria do possível hábito dos escravizados de moldarem telhas nas suas pernas. Mas, como cada um tinha um formato de corpo diferente, as telhas ficavam de tamanhos diferentes e não encaixavam corretamente.

DOMÉSTICA: segundo o projeto “Qual é a Graça”, do professor Luiz Henrique Rosa, o termo se refere aos negros que precisavam ser “domesticados” ou às negras que recebiam educação diferenciada para trabalhar dentro das casas das famílias brancas. Elas eram tidas como “escravas domesticadas”.

MEIA TIGELA: significa algo que vale menos ou pouco. Quando os negros que trabalhavam forçados em minas de ouro não alcançavam suas metas, recebiam como munição metade da tigela de comida.

DIA DE BRANCO: a expressão amanhã é dia de branco se refere a dia de trabalho, responsabilidade e compromissos. Dá a entender que só gente branca trabalha duro. Já que antigamente o trabalho dos escravos não era considerado trabalho.