A ONG Escola de Gente, que há 17 anos atua com atividades de inclusão, lançou o aplicativo Vem CA, uma ferramenta que tem como objetivo mapear a programação cultural das cidades brasileiras, com importantes informações sobre acessibilidade. O app é gratuito e estará disponível em todos os sistemas de celular a partir desta quinta-feira (19), data em que se comemora o Dia Nacional do Teatro Acessível.

Com o aplicativo, pessoas com e sem deficiência terão a oportunidade de saber o quê, quando, onde e com quais acessibilidades estão acontecendo as programações culturais: museus, peças teatrais, festivais gastronômicos, cinema, circo e bibliotecas, entre outras.  É possível pesquisar onde haverá espetáculos de teatro com intérprete de língua de sinais. Decidir em quais exposições uma pessoa em cadeira de rodas pode circular com autonomia. Também escolher a sessão de um filme com audiodescrição.

O Vem CA está preparado para cadastrar 12 tipos de atividades culturais e têm 12 recursos de acessibilidade disponíveis para a busca: assento acessível, audiodescrição/ guia acessível, banheiro acessível, elevador/rampa, gratuidade, legenda, Libras, Libras tátil, linguagem simples, piso tátil, publicações acessíveis e visita tátil. A ferramenta traz mecanismo de leitura para quem é cego, definição de cores de contraste para não confundir quem tem daltonismo ou baixa visão e navegabilidade simplificada para ser manuseado por uma mão só. Além de obter informações, o usuário também poderá alimentar o aplicativo com eventos que souber.

Para a escritora e fundadora da Escola de Gente, Claudia Werneck, a dificuldade atual de pessoas com deficiências desfrutarem de atividades de entretenimento, mesmo quando são acessíveis, acontece por dois motivos principais. “São convidadas às pressas, como se suas vidas estivessem sempre à disposição e nesse caso já têm outros compromissos, ou simplesmente não conseguem se organizar para ir; e não sabem quais acessibilidades serão oferecidas, porque geralmente se imagina que pessoas surdas só precisam da Libras ou que pessoas cegas só precisam de um livro em braille. As produções culturais então se desestimulam. Praticar a inclusão vira um fardo, mera obrigatoriedade legal, u problema que gera custos e nem aumenta o público. Todo mundo perde, se chateia e se frustra. O nosso aplicativo foi criado para impedir que esse modo contemporâneo de desintegração social avance”, explica ela. O novo aplicativo merece uma Salva de Palmas.